sábado, 22 de março de 2014

O Teatro e o Realismo

Com o realismo,os problemas do quotidiano das camadas sociais mais baixas ocupam os palcos.

O teatro, inclusive o realista e o naturalista, era definido pelo facto de que não só ilustrava o que se desviava da melhor sociedade, mas também suplantava a vida real pela forma do drama.

O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem torna-se coloquial.

A primeira grande obra dramática realista é A Dama das Camélias, (1852),de Alexandre Dumas.

O Realismo pode ser visto até hoje em dia, em peças teatrais como o Homem da Faixa Preta e outras.


La Dame aux camélias (1848)

sexta-feira, 21 de março de 2014

O Realismo na Literatura

Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retractar o homem e a sociedade em sua totalidade.

Não bastava mostrar a face sonhadora ou idealizada da vida, como fizeram os românticos, desejaram mostrar a face nunca antes revelada, a do quotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.

Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adoptando uma objectividade que faltou ao romantismo.

Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural, ou por meio de histórias como Machado de Assis.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Significado da Obra

Retracta a sociedade e a mentalidade da época (realismo);
É uma metáfora para o percurso da "Geração de 70", "os vencidos da vida": começa com grandes ambições, ilusões e fantasias, e acaba na desilusão e no desencanto.

PERSONAGENS CARLOS DA MAIA: Centro da órbita da intriga, a pessoa de Carlos é certamente das que requerem da parte do autor mais desenvolvimento. Carlos, personagem incontestavelmente modelada, é no entanto produto de uma educação de tipo definido, aparentemente utilizado por Eça de Queirós para representar um indivíduo de formação perfeita, carácter convicto e relativamente recto.

MARIA EDUARDA: Endeusada pelos olhos de Carlos, Maria Eduarda Maia aparece-nos descrita como uma senhora de porte nobre, elegante e sensual, dotada de espírito e virtuosa de encarnação.

AFONSO DA MAIA: Possivelmente a única personagem a que Eça não associa qualquer defeito. Firme, mas generoso e sensível, é o responsável pela louvável educação de Carlos e a imagem do português sério e ideal, capaz e determinado.

PEDRO DA MAIA Pedro: representa a pessoa frágil por excelência, em tudo um fraco Herdeiro da vulnerabilidade da mãe, sofre de uma debilidade amplificada por uma educação exageradamente beata, centrada no Latim e no estudo das escrituras, que o impede de sair e desfrutar a natureza, encarcerando-o num verdadeiro purgatório terreno. De estatura pequena, também semelhante à da mãe, adquire um corpo capaz de reflectir a fragilidade da alma, extremamente sensível e melancólica.

JOÃO DA EGA: Eça utiliza-o para poder tomar parte directamente na história e denunciar, com caricaturas e observações satíricas, os valores que a obra num todo parece condenar. Tem uma conduta recta e sempre fiel ao amigo Carlos, que acompanha em tudo. Goza do privilégio de praticar a transição gradual de uma personagem-tipo para uma personagem modelada. Revela complexidade psicológica, que vai paulatinamente adquirindo ao longo da história. É, com a excepção de Afonso da Maia, a única personagem a quem é concedida a descrição de uma reflexão pessoal interior. É o alter-ego de Eça.

MARIA MONFORTE: Mulher fatal, como a filha, responsável pela desgraça de Pedro, Maria Monforte é descrita como dona de um corpo sensual, semelhante a uma deusa, a uma estátua de mármore- possivelmente a Vénus no jardim do Ramalhete. Contrastando com esta perfeição corpórea está a personalidade fútil mas fria, caprichosa, cruel e interesseira. É inquestionavelmente uma personagem-tipo, ainda que desempenhe um papel relativamente significativo no romance.

TOMÁS DE ALENCAR: Outra personagem-tipo, Alencar reproduz fielmente a figura do poeta romântico - alto e asceta, de bigodes negros como os trajes que enverga, voz grossa e macilenta e postura artificialmente lúgubre.

EUSEBIOZINHO SILVEIRA: Eusebiozinho representa o oposto de Carlos - molengão, fraco e fútil, excessivamente mimado pela mamã; e pela titi, melancólico e fraco como Pedro da Maia - merecedor portanto do nada carinhoso diminutivo com que é tratado já em adulto. Quando Carlos procura a ciência para desafiar o intelecto, Eusebiozinho procura casas de passe de segunda classe ou acompanhantes de mau porte
Eusebiozinho Educação Portuguesa Carlos Educação Inglesa Símbolo o Trapézio Pedagogo o inglês Brown Vida ao ar livre Exercício físico Aprendizagem de línguas vivas (Inglês) Submissão da vontade ao dever Educação Moderna Símbolo a Cartilha Pedagogo o abade Custódio Debilidade física Aprendizagem de línguas mortas (Latim) Deformação da vontade própria Educação Romântica Educação

DÂMASO SALCEDE: Das personagens-tipo, é aquela a que Eça de Queirós dá mais atenção. Bem abaixo de uma pessoa, Dâmaso é antes uma conjunção de vícios. É filho de um agiota e assume um comportamento de adulação e deslealdade concorrentes. Obcecado com o chique, decalca qualquer comportamento importado do estrangeiro, particularmente de França. Procura imitar Carlos em tudo. Aparece para realçar a figura de Carlos da Maia.
CRAFT Apesar de pouca ou nenhuma importância ter na acção principal, Craft representa o homem correcto, incorruptível de hábitos rijos, pensando com rectidão. Recebe especial favor de Afonso da Maia, que o considera deveras um homem. Há ainda outras personagens de menor relevo, a saber a pessoa do Sr. Sousa Neto, o Conde de Gouvarinho, O Nunes, Steinbroken, O Palma Cavalão, o maestro Corujes. Guimarães faz a ligação do passado ao presente, através da papelada que entrega a João da Ega.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Acção

Nos Maias podemos distinguir dois níveis de acção: a crónica de costumes (acção aberta) e a intriga (acção fechada), que se divide em intriga principal e intriga secundária. São, aliás, estes dois níveis de acção, que justificam a existência de título e subtítulo nesta obra.

O título "Os Maias" corresponde à intriga, enquanto que o subtítulo "Episódios da Vida Romântica" corresponde à crónica de costumes.

Na intriga secundária temos a história de Afonso da Maia, época de reacção do Liberalismo ao Absolutismo. A história de Pedro da Maia e Maria Monforte, época de instauração do Liberalismo e consequentes contradições internas. A história da infância e juventude de Carlos da Maia, época de decadência das experiências Liberais.

Na intriga principal são retratados os amores incestuosos de Carlos e Maria Eduarda que terminam com a desagregação da família, morte de Afonso e separação de Carlos e Maria Eduarda. Carlos é o protagonista da intriga principal. Teve uma educação à inglesa e tirou o curso de medicina em Coimbra.

terça-feira, 18 de março de 2014

Os espaços

Nos maias podemos encontrar três tipos de espaço:
O espaço físico;
O espaço social;
O espaço psicológico

Espaço físico:
-a maior parte da narrativa passa se em Portugal, mais concretamente em Lisboa, Sintra, Sta. Olávia;
-em santa olívia, na infância de Carlos e em coimbrã nos estudos universitários

Espaço social:
O espaço social comporta os ambientes (jantares, chás, soires, bailes espectáculos), onde actuam as personagens que o narrador julgou melhor representarem a sociedade por ele criticada;
- as classes dirigentes, a alta aristocracia e a burguesia
O espaço social cumpre um papel puramente critico.

Espaço  psicológico:
É constituído pela consciência das personagens e manifesta-se em momentos de maior densidade dramática. É sobretudo Carlos, que desvenda os labirintos da sua consciência. Ocupando também Ega, um lugar de relevo. Destaquem como espaço psicológico, para o sonho de Carlos no qual evoca a figura de Maria Eduarda; nova evocação dela em Sintra; reflexões de Carlos sobre o parentesco que o liga a Maria Eduarda.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Tempo

Este romance não apresenta um seguimento temporal linear, mas, pelo contrario, uma estrutura complexa na qual se integram vários "tipos" de tempos:

Tempo histórico: Entende-se por tempo histórico aquele que se desdobra em dias, meses, e anos vividos pelas personagens, reflectindo ate acontecimentos cronológicos históricos do pais.
Nos Maias, o tempo histórico é dominado pelo encadeamento de três gerações de uma família, cujo último membro (Carlos) se destaca relativamente aos outros. A fronteira cronológica situa-se entre 1820 e 1887, aproximadamente. Assim, o tempo concreto da intriga compreende cerca de 70 anos.


Tempo do discurso:
Por tempo do discurso entende-se aquele que se detecta no próprio texto organizado pelo narrador, ordenado ou alterado logicamente, alargado ou resumido.
Na obra, o discurso inicia-se no Outono de 1875, data em que Carlos, dá por concluída a sua viagem de um ano pela Europa, após a formatura, veio com o avo instalar-se definitivamente em Lisboa.

Tempo psicológico:
O tempo psicológico é o tempo que a personagem assume interiormente, é o tempo filtrado pelas suas vivências subjectivas, muitas vezes carregado de densidade dramática. É o tempo que se alarga ou se encurta conforme o estado de espirito em que se encontra. O tempo psicológico introduz a subjectividade, o que poe em causa as leis do naturalismo.
O narrador pode assumir uma atitude de omnisciência, quando revela possuir um total conhecimento da história, caracterizando exaustivamente as personagens e os espaços, manipulando o tempo segundo o modo como o quer perspectivar. Este tipo de focalização aparece em Os Maias, fundamentalmente, na parte introdutória do romance, naquela em que se refere à juventude irreverente de Afonso e à história trágica de Pedro. Também a reconstrução do Ramalhete, os estudos de Carlos em Coimbra, e a descrição de Ega, Eusebiozinho e Dâmaso são exemplos deste ponto de vista do narrador.

O narrador poderá abdicar da sua omnisciência e contar a história de acordo com a capacidade de conhecimento de determinadas personagens. É o caso da focalização interna do narrador que, em Os Maias, surge preferencialmente na intriga central e nos episódios de crítica social. As personagens Carlos e Ega são as que fazem passar a crítica do autor, quando o narrador se oculta, facto facilmente detectável através do discurso indirecto livre.

domingo, 16 de março de 2014

Elementos simbólicos

Os Maias distinguem-se no quadro da literatura nacional não só, pela originalidade do tema mas também, pela destreza e mestria com que o autor conta o romance. De facto, tanto a crítica social, como a intriga amorosa são valorizadas pelo rigor e beleza dos vocábulos utilizados. Existem em maior ou menor grau todos os níveis de linguagem. Da linguagem familiar à linguagem infantil, o autor apresenta um estilo muito particular. Aliterações, adjectivações, comparações, advérbios, e personificações enchem Os Maias do início ao final da obra. De realçar também que, sendo a obra uma caricatura da sociedade portuguesa, o autor tira imensa partido da ironia. Linguagem

O impressionismo, bem patente, caracteriza-se pela frequência de construções impessoais, uma vez que o efeito é percepcionado independentemente da causa, ficando, portanto, o sujeito para segundo plano. - As sinestesias, através de percepções de tipo diferente traduzindo ironia. - O uso da hipálage (ex. as titis faziam meias sonolentas) , com a transposição de um atributo do agente para a acção.

Simbolismo - A designação de Ramalhete e o emblema do ramo de girassóis mostram-nos a importância da terra e da província no passado daquela família antiga da Beira“. O cedro e o cipreste (árvores românticas) simbolizam a vida e a morte. Estas duas árvores foram testemunhas; das diversas gerações desta família.
Vénus, os seus poderes são imensos: Deusa amável, ela protege os casamentos, favorece o entendimento entre os esposos, fecunda os lares, preside aos nascimentos. Ela fertiliza também os campos. Mas pode ser igualmente uma divindade temível, pois simboliza, muitas vezes, a paixão que nada pode deter, que enlouquece de amor aqueles que ela quer perder. - O Consultório de Carlos revela o seu diletantismo e a sua predisposição para a sensualidade.
O Vermelho é universalmente considerado como o símbolo fundamental do princípio da vida, com a sua força, o seu poder e o seu brilho; o vermelho, cor de fogo e de sangue possui, entretanto, a mesma ambivalência simbólica destes últimos. O escarlate ou vermelho escuro é nocturno, feminino, secreto e no limite centrípeto; ele apresenta não a expressão, mas o mistério da vida. Este vermelho pode também revestir-se assim de um significado funéreo..

A Toca, aqui parece simbolizar o carácter animalesco do relacionamento amoroso de Carlos e Maria Eduarda. - Os dois faunos simbolizam dois amantes numa atitude hedonista e desprezadora de tudo e de todos. Simbolizam também a atracção carnal. No quarto de Maria Eduarda, na Toca, o quadro com a cabeça degolada é um símbolo e presságio de desgraça.
Os seus aposentos simbolizam o carácter trágico, a profanação das leis humanas e cristãs.