Uma das preocupações de Eça foi evitar as frases demasiado
expositivas, fastidiosas e pouco esclarecedoras dos românticos. Para tal, faz
uso da ordem directa da frase, para que a realidade possa ser apresentada sem
alterações, e empregou frases curtas para que os factos e as emoções
apresentadas fossem transmitidas objectivamente.
A pontuação, na prosa queirosiana, não pretende servir a
lógica gramatical.
Eça põe a pontuação ao serviço do ritmo da frase para, por
exemplo, marcar pausas respiratórias, para revelar hesitações ou destacar
elevações de vozes.
Para evitar a utilização constante dos verbos declarativos, eça criou o estilo indirecto livre.
O processo consiste
em utilizar no discurso indirecto a linguagem que a personagem usaria no
discurso directo, ou seja no diálogo.
Deste modo, o texto ganha vivacidade e
evita a repetitiva utilização de disse que, perguntou se, afirmou que, criando a impressão de se ouvir falar a personagem.
Eça de Queirós utiliza uma linguagem representativa não só
da personalidade da personagem mas também de acordo com a sua condição social.
Como observador da sua sociedade, Eça teve de recriar nas
suas obras as diferentes linguagens das diferentes classes sociais da sua
época.
Por isso, as suas obras tornam-se riquíssimos espólios e testemunhos da
vida dos finais do século XIX.
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