terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Almeida Garrett : Vida e Obra

João Batista da Silva Leitão de Almeida nasceu no Porto em 1799 e faleceu em Lisboa em 1854.

O apelido irlandês está na genealogia da família, Garrett é o nome da sua avó paterna, que veio para Portugal no séquito de uma princesa.

A obra “ frei luís de Sousa” concentra-se no período da vida de Manuel de Sousa Coutinho imediatamente antes do seu ingresso, juntamente com a esposa D. Madalena de Vilhena, na vida monástica: um seu biógrafo atribuiu essa decisão ao facto de o primeiro marido de D. Madalena, D. João de Portugal, tido por morto na Batalha de Alcácer Quibir, estar ainda vivo e ter regressado a Portugal, tornando ilegítimo o casamento de D. Manuel e bastardos seus filhos.

Garrett acentua o carácter dramático desta situação, dando ao casal uma única filha adolescente, Maria de Noronha, e um aio ainda dedicado à figura do seu velho amo, D. João de Portugal.

O desfecho trágico é desencadeado pelo nacionalismo de Manuel de Sousa Coutinho, que prefere pôr fogo ao seu palácio a nele acolher os representantes da opressão espanhola e se vê forçado a tomar residência no antigo paço que fora de D. João de Portugal; este regressa ao antigo lar, disfarçado de romeiro, e confirma as apreensões de D. Madalena ao se identificar com o retrato de D. João.

Os esposos adúlteros, falecida a filha, decidem ingressar na vida religiosa.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cronologia da vida de Almeida Garrett

1799 – Almeida Garrett nasce no Porto.
1809 – Parte para a ilha Terceira por causa das invasões francesas. Aí recebe de um tio, bispo de Angra do Heroísmo, uma educação religiosa e clássica.
1816 – Matricula-se no curso de Direito em Coimbra. Adere às ideias liberais e começa a escrever algumas peças de teatro.
1820 – Escreve a tragédia Catão, representada em Lisboa no ano seguinte.
1821 – Já formado, casa com Luísa Midosi e publica o Retrato de Vénus, que lhe valeu um processo judicial e um julgamento de que foi absolvido.
1823 – Com a Vila-Francada, exila-se em Inglaterra, onde contacta com a literatura romântica (Byron e Walter Scott).
1824 – Parte para o Havre, em França, como correspondente.
1825 – Publica em Paris Camões.
1826 – Publica ainda em Paris D. Branca.Regressa a Portugal após a outorga da Carta Constitucional, dedicando-se ao jornalismo político.
1828 – Exila-se de novo em Inglaterra devido à aclamação de D. Miguel.
1830 – Inicia a compilação do Romanceiro.
1832 – Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto, escrevendo aí a primeira pare do Arco de Santana.
1834 – Após a guerra civil, Almeida Garrett é nomeado cônsul geral em Bruxelas. Estuda a língua e a literatura alemãs (Herder, Schiller e Goethe).
1836 – Regressa a Portugal e separa-se de Luísa Midosi, que em Bruxelas o teria traído. Passos Manuel encarrega-o de reorganizar o teatro nacional, nomeando-o inspector dos teatros.
1837 – Perde o cargo de inspector dos teatros por demissão de Passos Manuel. Apaixona-se por Adelaide Deville, que morrerá em 1841 e de quem terá uma filha, Maria Adelaide.
1838 – Publica Um Auto de Gil Vicente.
1841 – Publica O Alfageme de Santarém.
1842 – Costa Cabral instaura um governo de ditadura, contra o qual Garrett luta na oposição parlamentar.
1843 – Escreve o drama Frei Luís de Sousa que será publicado no ano seguinte. Começa também a escrever o romance Viagens na Minha Terra, que publica em folhetins na Revista Universal Lisbonense.
1845 – Publica o romance Arco de Santana e a colectânea de poemas Flores sem Fruto. Inicia-se a paixão por Rosa Montufar, a Viscondessa da Luz.
1846 – É publicado em dois volumes o romance Viagens na Minha Terra.
1850 – É representado no Teatro Nacional o drama Frei Luís de Sousa.
1851 – É nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros e recebe o título de Visconde e Par do reino. Conclui a compilação do Romanceiro.
1853 – Publica Folhas Caídas, colectânea poética que causou escândalo na época.
1854 – Almeida Garrett morre a 9 de Dezembro em Lisboa.

Nome dos elementos:Fedrerico Galo, João Mateus, Joel Gil, João Gaspar, André Pereira

domingo, 26 de janeiro de 2014

Frei Luís de Sousa

Frei Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho) foi um escritor e sacerdote português, natural de Santarém. 
Mudou de nome ao ingressar na vida religiosa, em 1613, como era prática usual nas ordens religiosas.
Foi nomeado cavaleiro da ordem de Malta por volta de 1572, tendo estado cativo em Argel e viajado pelo Oriente e pelas Américas.
Esteve ao serviço de Filipe II e casou com D. Madalena de Vilhena, mulher de D. João de Portugal, que desaparecera na batalha de Alcácer Quibir. Em 1559, havia sido nomeado capitão-mor de Almada.
Nesse mesmo ano, destruiu o seu palácio pelo fogo, não permitindo assim que os governadores do reino, fugindo à peste de Lisboa, nele se refugiassem.

Em 1613, Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena de Vilhena decidiram professar, ele no convento de São Domingos, em Benfica, e ela no convento do Sacramento.


Um biógrafo atribuiu esta decisão à notícia de que D. João de Portugal se encontrava, afinal, vivo, tornando ilegítima a união do casal.
Escreveu vários livros, destacando-se a Vida de Frei Bartolomeu dos Mártires e História de São Domingos.
Foi na vida "misteriosa" deste homem que Almeida Garrett se inspirou para escrever o Frei Luís de Sousa.


sábado, 25 de janeiro de 2014

A Batalha de Alcácer Quibir

A Batalha de Alcácer Quibir foi travada entre portugueses e marroquinos a 4 de Agosto de 1578 próximo da antiga cidade de Alcácer Quibir em Marrocos. O objetivo da batalha era a conquista desta cidade que era na altura a principal base de ataque dos mouros contra as praças portuguesas de Arzila e Tânger.

A derrota portuguesa na batalha e o desaparecimento do rei D. Sebastião tiveram graves consequências para Portugal. Por um lado foram pedidos resgastes extremamente elevados para libertação de prisioneiros com graves prejuízos económicos para o país. Por outro lado o desaparecimento de D. Sebastião sem que ficasse assegurada a sua sucessão originou uma crise dinástica e que levou à tomada do trono português por Filipe II de Espanha (D. Filipe I de Portugal) em 1580.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Estrutura Externa e Estrutura Interna

Estrutura Externa
  • Primeiro ato 12 cenas.
  • Segundo ato 15 cenas.
  • Terceiro ato 12 cenas.

Estrutura Interna

  • Exposição/prólogo (acto I, cenas 1 e 2) - apresentação das personagens e do conflito latente.
  • Conflito.
  • Desenlace (acto III, cenas 10 a 12) - aniquilamento das personagens.
Ato I
Cenas I - IV - Informações sobre o passado das personagens.

Cenas V - VIII - Preparação da acção, decisão dos governadores e decisão de incendiar o palácio.

Cenas IX - XII - Acção, incêndio do palácio.

Ato II

Cenas I - III - Informações sobre o que se passou depois do incêndio.

Cenas IV - VIII - Preparação da acção: ida de Manuel de Sousa Coutinho a Lisboa.

Cenas IX - XVAcção: chegada do Romeiro.

Ato III

Cena I - Informações sobre a solução adoptada.
Cenas II - IX - Preparação do desenlace.
Cenas X - XIII - Desenlace.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Romantismo

O Romantismo foi um movimento artístico que surgiu no final do século XVIII e teve como principais características a criatividade ilimitada e a imaginação individual de cada um dos indivíduos. O movimento foi dividido em três grandes fases, onde a ultima foi considerada um fase de transição deste movimento. Este movimento procurou dar ênfase ás emoções humanas, ao sentimento de cada um dos pintores e à força da natureza, como nas obras de William Turner, que reflecte a fúria do oceano e de outros fenómenos.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Principais características românticas


Retrata uma época de reacção do povo português ao domínio dos Filipes;

• Crença no sebastianismo;
• Crença em agouros, dias aziagos, superstições;
• Maria é uma figura romântica até à medula, pela sua sensibilidade doentia e pela sua imaginação aguçada pela tuberculose (doença romântica), deixando-se levar por visões e pelos sonhos;
• A morte em cena desta mesma personagem, não sem antes se insurgir acaloradamente contra a lei do matrimónio, uno e indissolúvel, que forçava os pais à separação e lhos roubava;
• O heroísmo de Manuel de Sousa Coutinho ao incendiar a sua casa;
• O aparecimento da religião como consoladora de infelizes;
• O uso da prosa;
• A divisão em três atos;
• O desrespeito pelas unidades de tempo e de espaço.
Principais características clássicas e trágicas:
• Personagens aristocráticas e em número reduzido;
• Existência do Pathos (= sofrimento), que atinge as personagens e que vai progressivamente aumentando, até atingir um clímax irresistível e fatalista;
• O Ethos, pois o herói, revoltando-se, revela o seu carácter (ethos), adquirindo uma estatura superior;
• Existência da hybris (= desafio), aquando, por exemplo, do casamento de Madalena (que ainda não tinha a certeza absoluta do seu estado livre e que, mais grave, já amava Manuel de Sousa Coutinho quando vivia com o seu primeiro marido...) e do incêndio provocado por Manuel de Sousa – desafios às instituições e às prepotências humanas;
• A presença do Ágon, que corresponde à luta ou ao conflito travados pelas personagens, lançados que foram os desafios às instituições e à arbitrariedade humana;
• Uma anankê (= destino, fatalidade), em latim fatum, o qual atinge inexoravelmente uma família que, pressente-se logo de início, irá ser desonrada e liquidada sem piedade;
• A sensação de impotência, dado que os protagonistas não podem lutar contra essa fatalidade, limitando-se a aguardar, incapazes e cheios de ansiedade, o desfecho que se afigura cada vez mais funesto;
• A anagnórisis ou anagnórise ou ainda agnorisis (= reconhecimento), com o reconhecimento ou identificação do Romeiro.
• A Katastrophé (catástrofe), que marca o desenlace fatal em que se consuma a destruição das personagens – morte física de Maria; morte para o mundo material ou secular de Madalena e de Manuel; morte psicológica do romeiro….