quarta-feira, 21 de maio de 2014

Bibliografia de Fernando Pessoa

O ortónimo e os heterónimos de Fernando Pessoa


Fernando Pessoa usou em nas suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortónimo) para assinar várias obras e pseudónimos (heterónimos) para assinar outras. Os heterónimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. São eles:

Álvaro de Campos
Era um engenheiro português de educação inglesa. Influenciado pelo simbolismo e futurismo, apresentava um certo niilismo em suas obras. 

Ricardo Reis
Era um médico que escrevia suas obras com simetria e harmonia. O bucolismo estava presente em suas poesias. Era um defensor da monarquia e demonstrava grande interesse pela cultura latino.

Alberto Caeiro
Com uma formação educacional simples (apenas o primário), este heterónimo fazia poesias de forma simples, directa e concreta. Suas obras estão reunidas em Poemas Completos de Alberto Caeiro.

Biografia de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888 - 1935) foi um poeta e escritor português, nascido em Lisboa. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal.

Aos seis anos de idade, Fernando Pessoa foi para a África do Sul, onde aprendeu perfeitamente o inglês, e das quatro obras que publicou em vida, três são em inglês. Durante sua vida, Fernando Pessoa trabalhou em vários lugares como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, e ao mesmo tempo produzia suas obras em verso e prosa.

Como poeta, era conhecido por suas múltiplas personalidades, os heterónimos, que eram e são até hoje objecto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra.

Fernando Pessoa faleceu em Lisboa, com 47 anos anos de idade, vítima de uma cólica hepática causada por um cálculo biliar associado a cirrose hepática, um diagnóstico hoje é dia é contestado por diversos médicos.

Os principais heterónimos de Fernando Pessoa são:

- Alberto Caeiro, nascido em Lisboa, e era o mais objectivo dos heterónimos. Buscava o objectivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjectividade. É o poeta que busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstracção, à especulação metafísica e ao misticismo. É o menos "culto" dos heterónimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura.

- Ricardo Reis, nascido no Porto, representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos. Apoia-se na mitologia grego-romana; é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, porque a morte está à espreita. É um médico que se mudou para o Brasil.

- Álvaro de Campos, nascido no Porto, é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso. Campos era um engenheiro inactivo, inadaptado, com consciência crítica.


Almada Negreiros

Escritor e artista plástico, José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893.

Foi um dos fundadores da revista “Orpheu” (1915), veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa. 

Além da literatura e da pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet.

Trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral. Faleceu a 15 de Junho de 1970 no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, no mesmo quarto onde morrera seu amigo Fernando Pessoa.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Santa Rita

Guilherme Augusto Cau da Costa de Santa Rita ou Guilherme de Santa-Rita, mais tarde passaria a chamar-se apenas, Santa-Rita Pintor (Lisboa, 31 de Outubro de 1889 — Lisboa, 29 de Maio de 1918) foi um pintor português.

Figura mítica da primeira geração de pintores modernistas portugueses, a sua obra permanece em grande parte envolta em mistério. Nunca expôs em Portugal, mas esteve vários anos em Paris garantindo, com Amadeo de Souza-Cardoso, a primeira ligação efectiva às vanguardas históricas do início do século XX e foi o mais activo impulsionador do breve movimento futurista português.

Morreu prematuramente, antes mesmo de completar 29 anos de idade, vitimado por tuberculose pulmonar, deixando ordem expressa para que todos os seus trabalhos fossem destruídos da sua obra da maturidade resta uma única pintura e um conjunto de reproduções rudimentares, a preto e branco, nas revistas Orpheu (1915) e Portugal Futurista (1917).





Amadeo de Souza Cardoso

Nascido em 1887 e falecido em 1918, as primeiras experiências de Souza-Cardozo deram-se no desenho, especialmente como caricaturista.

Aos 19 anos, mudou-se para Paris, tomando contacto primeiro com o Impressionismo e depois com o Expressionismo e o Cubismo. Em 1912 publicou um álbum com 20 desenhos.

Depois de participar numa exposição nos Estados Unidos, em 1913, voltou a Portugal, onde realizou duas exposições, prospectivamente no Porto e em Lisboa, causando escândalo entre os seus compatriotas: suas obras foram criticadas, ridicularizadas e, por breves momentos, houve até confronto físico entre críticos e defensores da arte moderna.

Em 1925, a França realizou uma retrospectiva do pintor, com 150 trabalhos, bem aceites pelo público e pela crítica.

Dez anos depois, em Portugal, foi criado um prémio para distinguir pintores modernistas, que recebeu o nome de «Prémio Souza-Cardoso».

Lentamente, à medida que os preconceitos em relação ao modernismo foram sendo afastados, o nome de Souza-Cardoso ganhou a devida importância em Portugal.


A sua obra é caracterizada por paisagens exóticas, com desenhos cubistas que transmitem: elegância, mistério, imaginação, emoção e simbolismo.

Amadeo acumula elementos geométricos caligráficos, com linhas encurvadas coloridas que conduzem a uma ação extremamente dinâmica.



Modernismo na Pintura

A arte moderna surgiu em rotura com o séc. XIX: rompe-se com os códigos, com a perspectiva, com o conceito de belo, etc..

A pintura modernista misturou as delicadas e elegantes formas do gótico com o simbolismo romântico, tendo como resultado uma pintura de um grande erotismo e naturalidade.

Enumeram-se o cubismo, o abstraccionismo, o futurismo e o surrealismo como alguns dos mais importantes movimentos modernistas na pintura.

O modernismo não tardou a chegar a Portugal.

Destacam-se nomes como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros e Santa-Rita pintor.



Modernismo na Literatura

Modernismo português: As três vertentes da literatura moderna em Portugal

O modernismo português desenvolveu-se desde o início do século XX até o final do Estado Novo, na década de 1970. Trata-se de um período amplo, no qual três vertentes são muito importantes: o Orfismo, o Presencismo e o Neorrealismo, cada um com características marcantes e de grande influência.

O nome Orfismo está vinculado aos escritores ligados à revista Orpheu, responsável por levar para Portugal às discussões culturais da Europa, um continente imerso na eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Os intelectuais ligados à publicação buscavam deixar de lado o então acanhado meio cultural português, voltando-se para um mundo novo, regido pela velocidade, pela técnica, pelas máquinas e por infinitas possibilidades de visão do mundo.

A revista, embora influente no meio literário, teve apenas dois números em Março e Junho de 1915. Os destaques eram Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e Fernando Pessoa. A contestação da literatura tradicional trouxe escândalo, incompreensão da crítica conservadora e insucesso financeiro, que levou a publicação à falência.

Um segundo momento foi o Presencismo. O nome vem da revista Presença, “Folha de arte e crítica”, fundada em 1927, em Coimbra, por Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio. Reuniu aqueles que não participaram do Orfismo e buscou aprofundar discussões sobre teoria da literatura e sobre novas formas de expressão. Com dificuldade, conseguiu se manter até 1940. A influência das ideias da psicanálise freudiana foi grande no sentido de reforçar os universos da individualidade criativa, da análise psicológica e da intuição.

O Neorrealismo, já na década de 1940, caracteriza-se pelo combate ao fascismo e defende a literatura como uma forma de crítica e denúncia social com uma postura combativa e reformadora, a serviço da sociedade. Seu nome provém do diálogo com a literatura brasileira, principalmente com escritores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, justamente pela proposta de trazer um alerta contra a exploração do homem pelo seu semelhante. O socialismo marxista é a ideologia utilizada para combater a opressão. Ferreira de Castro é um exemplo. Nele reduz-se o intelectualismo e a psicologia em nome da análise de problemas de natureza social, mesma trilha de Alves Redol, Manuel da Fonseca e José Gomes Pereira, entre outros.

Portanto, desde o marco inicial, a publicação da revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, como o Futurismo e o Expressionismo, ao neo-realismo, houve uma alteração de percurso. Passou-se de uma poesia mais complexa e de difícil acesso ao engajamento explícito dos neorrealistas. Em comum, porém, está a busca de um rompimento com o passado e uma visão crítica, demolidora e irreverente da arte, da política e da cultura portuguesas.